26.11.04

Dava um bom rapaz para a Anita

Eu gosto dos filmes de menear-de-anca do Elvis. No romance de cordel costuma haver uma moça cheia de virtudes vagamente perdida no mundo e sem rumo. Vagamente, porque não se dá conta, perdida, porque de facto o está, não possuindo normalmente nem terra, nem família, nem laços de qualquer espécie, e sem rumo porque, se o tivesse, não poderia ser salva e não existiria história. Essa moça, nos filmes do Elvis é um moço: é o Elvis. A fazer de Elvis ou de Elvis com óculos escuros e sob pseudónimo. O Elvis chega do nada e vira qualquer aldeia havaiana do avesso, deixando as raparigas em ponto de alvoroço. Coisa que não espanta, pois o Elvis, apesar de vagamente perdido e sem rumo, é culto, meditativo, trabalhador, corajoso, sedutor, porém sério, sabe cantar e, por vezes, dança.

Quando canta o Elvis? Quando dança o Elvis? Nunca se sabe. Precisamente. Sendo certo que, esteja ele a lavar a louça, a reparar um automóvel, a camelo no deserto, se decidir cantar, das alturas celestias soará a orquestração necessária e, se estiver rodeado de pessoas, a essas pessoas será concedida a graça da dança.

Sempre que vejo filmes dele faço apostas a propósito das cenas em que ele vai cantar e dançar. Mais pelo acréscimo de gozo porque, é justo dizê-lo, esses momentos são sempre inesperados.


Elvis Culto / Elvis Pensador / Elvis Trabalhador


Elvis Corajoso / Elvis Sedutor / Elvis Sério


Elvis Cantor / Elvis Dançarino / Elvis nas Arábias

húmus

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