Não é novidade, excepto para mim. A edição (Baleiazul) que li e vi ontem é de 1997 e encontrei-a durante a hora de almoço na Bertrand do Picoas Plaza. Podia tê-la deixado lá não fosse as ilustrações representarem uma cidade - Taxandria - com edifícios gigantescos, meio submersos, meio tortos. A escala: um puto de escola, com uma pasta às costas. O puto, que se chama Aimé, quer saber o mesmo que eu, que coisa deixou a cidade naquele estado. Mas o mais impressionante, o mais maravilhoso, é a forma como a cidade, quase deserta ou com grupos de homens estranhamente ordenados, está desenhada. Daí a minutos, fora da livraria, soube que em Taxandria reina uma ditadura que proibiu o tempo, a História e os verbos da memória.
Quando saí do trabalho, li o resto. A clonagem do Sol. O Grande Cataclismo. O velho Museu abandonado com todas as máquinas e com todos relógios do mundo. O Jardim das Delícias. Não me apetecia acreditar que existisse um fim. Havia, claro, um fim. E no fim havia o mar. O mar pela primeira vez.
Chegada a casa vim à internet para ficar a saber que Schuiten tem uma ligação forte à Arquitectura e que (ai de mim) desenha sempre assim as suas cidades. Dois ou três links depois naufraguei. Pouco depois, dei à costa nas Cidades Obscuras.

Vinte e um anos de mundo por descobrir. Devia ter suspeitado: o mar nunca é o fim de nada.
Quando saí do trabalho, li o resto. A clonagem do Sol. O Grande Cataclismo. O velho Museu abandonado com todas as máquinas e com todos relógios do mundo. O Jardim das Delícias. Não me apetecia acreditar que existisse um fim. Havia, claro, um fim. E no fim havia o mar. O mar pela primeira vez.
Chegada a casa vim à internet para ficar a saber que Schuiten tem uma ligação forte à Arquitectura e que (ai de mim) desenha sempre assim as suas cidades. Dois ou três links depois naufraguei. Pouco depois, dei à costa nas Cidades Obscuras.
Vinte e um anos de mundo por descobrir. Devia ter suspeitado: o mar nunca é o fim de nada.
E agora reparo (estive a escrever o post com a sensação de o endereço não me ser estranho e a somar umas coisas) que já tinha estado no site. À procura da capa virtual do Megapoles, de Bruno Letort e Stefan Rodesco. Um disco que, em 2000, me chamou pela capa. Ilustrações? François Schuiten. Confirmei agora no cd. É belo. Merece o cliché (so help me, God) e eu mereço perdão - some things are meant to be.
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* adaptação do filme Taxandria, de Raoul Servais
