Neil Gaiman - ilustrações de Dave McKean
No Natal sentei-me em frente à lareira, abri o livro no colo e comecei a lê-lo à família. Consta que quando os lobos saem das paredes é o fim, que quando as pessoas saem das paredes é o fim, que quando os elefantes saem das paredes é o fim: nenhum de nós duvidou, por um só momento de leitura, que assim fosse, porque a história não permite confianças dessas e se impõe a tudo e a todos, independentemente da data em que se nasceu. As ilustrações de Dave McKean são lindas, lindas, pelo que o livro foi folheado durante muito tempo e, sendo assim, a história foi sendo relida em parcelas. É irrelevante o que se paga por um livro assim por tudo o que nos dá. Eu desconfiava que de Neil Gaiman me chegaria, na idade adulta, o melhor livro da infância, o que se confirmou, devolução inestimável.
E é melhor calar-me e linkar o post para um artigo de João Miguel Tavares que diz tudo o que eu não sei dizer e que não exagera nada.
Ainda por cima fica-se com um afecto bizarro pelo objecto, que inesperadamente se personaliza. E não se consegue escondê-lo entre os outros, reduzindo-o a uma mera lombada, nem passar por ele em casa sem sorrir, como se a ausência do sorriso pudesse deixar o livro triste (coisa que não se pode fazer a um livro especialmente querido). As coisas que os livros nos fazem.
E é melhor calar-me e linkar o post para um artigo de João Miguel Tavares que diz tudo o que eu não sei dizer e que não exagera nada.
Ainda por cima fica-se com um afecto bizarro pelo objecto, que inesperadamente se personaliza. E não se consegue escondê-lo entre os outros, reduzindo-o a uma mera lombada, nem passar por ele em casa sem sorrir, como se a ausência do sorriso pudesse deixar o livro triste (coisa que não se pode fazer a um livro especialmente querido). As coisas que os livros nos fazem.
