Há coisas que não consigo ouvir calada. Mais: há coisas que me fazem abrir os pulmões como se tivesse quatro anos. Deveria fazê-lo apenas no duche, mas não dá. Quando acontece, acontece. Só consigo controlar-me fora de casa. Passa-se isto com "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", a adaptação camoniana de José Mário Branco. Rejubilo aos primeiros acordes. E a seguir perco completamente a noção das conveniências. A minha infância fez-se com canções muito bonitas. Passa-se o mesmo com "Era uma vez um rei" (#), de José Barata Moura, o mesmo homem que me assinou em Latim o canudo (informação inútil, que incluo porque a coincidência me deixa feliz: ter sido o homem das barbas e da guitarra a assinar-me o canudo e não outro qualquer... é logo outra ternura (*)).
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(#) Sim, ainda sei toda. E não é, nem de perto nem de longe, a única. E também sei de cor a lengalenga da formiga que prendeu o pé na neve.
(*) Olá, Isabel :)