Artes decorativas
Às vezes apercebo-me que também entre as pessoas com quem cresci há aquelas para as quais a arte, afinal, se viu reduzida ao estatuto de colarinho, de cachucho de curso ou de capachinho. Que deixou de respirar e que se deixou de respirar nela. Imagino que seja da ordem natural das coisas para a generalidade das pessoas que pouco a pouco os quadros deixem de entrar na corrente sanguínea, que já não faça tropeçar na rua a sua lembrança, que passe a existir um tempo para trabalhar, separado de um tempo para a recriação e que a arte passe a fazer parte desse tempo, que se mantenha do lado de fora das coisas sérias e importantes, que passe a entrar sem surpresas pela porta de serviço, para a limpeza semanal, mais ou menos como os bibelots estão na parte de cima das televisões existentes nas casas que o Martin Parr fotografa, como peças decorativas cuja classificação e alcance determina o grau de provincianismo (sofisticado ou não) a que de facto se pertence e o status que ingenuamente se deseja.
Não é a arte. Não são os livros ou quem os assina, nem o cinema, nem o teatro, nem os discos, nem as fotografias, nada disso: é o mundo através dessas coisas e nós estarmos nele. É condição e é identidade. Não me podia ser mais indiferente que a generalidade das pessoas adormeça. Eu não conheço a generalidade das pessoas. Mas lixa-me quando acontece a um amigo meu. Devia haver um comunismo das capacidades intelectuais, devia surgir um Marx da inteligência, revoluções pelo mundo, a cabeça a quem a usa, algo assim, e a quem adormecesse devia ser retirado e distribuído o cérebro aos que não têm outro remédio além de extasiar perante telenovelas mexicanas. Era mais justo. A mim, olhar para dentro da cabeça vazia daqueles de quem gosto seria mais fácil que constatá-la ausente, estranha, finita. É o mesmo que ver cair uma árvore, secar um rio, extinguir-se uma espécie. É pobreza. Se a árvore era grande, frondosa, cheia de pássaros, então, é miséria. Não gosto.
20.4.05
coisas
mais coisas
húmus
a alcoviteira andarilha
a luz nas telhas
a noite dança
alec soth
alex maclean
alexandra boulat
alfredo cunha
alice in chains
allo allo
andou prometeu a roubar fogo aos deuses para isto
andré kertész
andrew wyeth
antibalas
anywhen
arizona amp and alternator
armi e danny
arthur dove
as árvores
aulas de CC
bach
bartleby
beatles
bergman
bill evans
bompovo
brad mehldau
brecht
bunny suicides
calexico
camponesa
camus
carl sandburg
carlos paredes
carta topográfica de lisboa
caspar david friedrich
cassandra wilson
cato salsa experience
centenário do grande temporal
centrifugação blogger
charlie parker
chico buarque
christian schad
christopher r. harris
cig harvey
coisas que ninguém diz e que toda a gente sabe
dan nelken
daniel blaufuks
dave holland
dave mckean
decisions
deus inventou o sexo
diário de bordo
ditty bops
divas
dostoievsky
dr. jazz
dylan thomas
e. e. cummings
el greco
ella fitzgerald
elvis e anita
emil nolde
enid blyton
eugene smith
eugénio de andrade
evil genius
fausto bordalo dias
fenómenos paranormais
francis bacon
françois clouet
fredrik marsh
future bible heroes
gaivota
galiza
garcía lorca
geografia
georges gonon-guillermas
gilbert and george
gógol e kureishi
gonçalo m. tavares
góngora
HAL
hans baldung grien
hans cranach
henrik ibsen
hopper
horas da ciência
howe gelb
hp5
húmus
hyeyoung kim
i'm going away to wear you off my mind
ironia natalícia
jan van eyck
jason moran
jerry lodriguss
jesus na comida
jornal do insólito
josé barata moura
josé carlos fernandes
josé gomes ferreira
josé mário branco
josé tolentino mendonça
Kafka sumiu
keith jarrett
keith johnson
ken rosenthal
king oliver's creole jazz band
laura veirs
lei bloguística
leitura de sobrevivência
león ferrari
lewis carroll
load ""
louis jordan
madrid
maelesskircher
manuel alvarez bravo
maria schneider
mario abbatepaolo
martin parr
matéria-prima
mau feitio
mauro fiorese
michael brecker
micheliny verunschk
miguel rio branco
miles davis
mirah
missy gaido allen
momento fantástico do bicho escala estantes
monk
movimento televisão sem som
neil gaiman
nick brandt
nietzsche
noronha da costa
o aforismo
o piano de tom jobim
o sono e os sonhos
o'neill
orquestra vegetal de viena
os cavaleiros camponeses no ano 1000 no lago de paladru
pão com manteiga
pat metheny
patience and prudence
paul strand
pedro salinas
peggy washburn
pentti sammallahti
philip larkin
philippe halsman
piero de la francesca
ponce de léon
post de gaja
preisner
pronto-a-vestir
quadrado fi
Quadros que roubaria no Thyssen
quino
R.E.M.
raïssa venables
regina guimarães
robert doisneau
ruben a.
rui knopfli
ruy belo
ruysdael
sarastro
schuiten e peeters
sequoia sempervirens
sérgio godinho
shampoo casulo
shannon wright
sidney bechet
simone de beauvoir
sophia andresen
soviet group
stieglitz
t.s.eliot
tagsmustbedestroyed
tennessee williams
terry blaine
the 1913 armory show
tom chambers
trem azul
trepadeira
universos múltiplos
valerio magrelli
velásquéz
você é um idiota
winslow homer
xavier seoane
yes prime minister
yousuf karsh
zeca
zurbaran