Regra geral, não gosto de Física. A excepção é a Física Quântica, coisa mailinda. Quais Maxwell quais quê; E = mc^2 é a equação mais bonita de toda a Física - a ideia de equivalência massa-energia é de cortar a respiração. (Correcção: esta equação faz parte da Relatividade e não da FQ. Mas continuo a gostar de ambas.)
«(...) A famosa fórmula de Einstein (...) diz-nos que massa (m) e energia (E) se podem converter uma na outra. (...) Um exemplo impressionante, em que o efeito da relação de Einstein para a equivalência entre massa e energia é levado às suas últimas consequências, é o do decaimento de uma certa partícula subatómica, chamada mesão. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma partícula material, com uma massa bem definida (e positiva). Ela desintegra-se, ao fim de aproximadamente 10^(-16) segundos (...), dando quase sempre origem a dois fotões.»
(in A Mente Virtual, Roger Penrose, Gradiva)
8.1.05
Ano Mundial da Física
10.12.04
Histórias da Ciência - Epílogo
Só para acabar, recomendo vivamente estas conferências. A próxima sessão é dia 14 de Janeiro - Geologia: afinal houve um princípio e vislumbra-se um fim, Prof. Fernando Barriga. Às 18h30, no Pequeno Auditório da Culturgest, entrada gratuita.
Histórias da Ciência
Apesar do que possa parecer no post anterior, gostei muito da conferência de hoje - A selecção sexual, de Darwin aos nossos dias, Prof. Teresa Avelar.
Visto que os meus conhecimentos acerca do assunto são muito básicos (Biologia 12º e bastantes horas de BBC Vida Selvagem), transcrevo o texto da folha que distribuiram na Culturgest:
«No seu livro A Origem das Espécies (1859), Darwin argumentou que ocorre evolução através da selecção natural. A selecção natural é o resultado de diferenças no sucesso reprodutor dos indivíduos: alguns possuem características herdáveis que lhes permitem sobreviver e reproduzir-se melhor do que outros. Deste modo, as características benéficas tornam-se mais frequentes na população ao longo do tempo. Este mecanismo explica as características adaptativas dos seres vivos. No entanto, em muitas espécies os machos são diferentes das fêmeas de modos que não são fáceis de explicar de acordo com os padrões de "eficiência" no dia a dia: possuem armas ofensivas ausentes nas fêmeas, ou exibem ornamentos mais ou menos elaborados. Para explicar estes casos, Darwin sugeriu um mecanismo adicional, o da selecção sexual e distinguiu entre os casos em que os machos lutam directamente (daí as armas ofensivas), e o vencedor monopoliza as fêmeas, e os casos em que os machos se exibem (daí os ornamentos) e as fêmeas "escolhem" o que lhes "agrada" mais. Darwin desenvolveu estas ideias no livro The descent of man, and selection in relation to sex (1871).
 Os contemporâneos de Darwin aceitaram a ideia de que os machos lutavam pela posse das fêmeas, mas não aceitaram que as fêmeas em animais "escolhessem" e que pudessem ter um impacto tão grande no processo evolutivo. Um dos críticos foi Wallace, co-descobridor da selecção natural, e que achou o processo postulado por Darwin demasiado esbanjador.
 A selecção sexual, em especial a "escolha" pelas fêmeas, continuou a ser criticada ou ignorada após Darwin. Uma das razões foi a ideia de que a selecção natural funcionava para o "bem da espécie", e portanto uma adaptação tinha que ser algo funcional, e não uma extravagância. O renascer do interesse pela selecção sexual por volta de 1970 coincidiu com a reconsideração do nível a que a selecção age: ou seja, o dos indivíduos e não o da espécie. A existência de características extravagantes mas que aumentam o sucesso reprodutor dos indivíduos passou a ser credível.
 Dada a existência de uma preferência por parte das fêmeas, a evolução de ornamentos por parte dos machos é explicável. A grande questão é a origem das preferências nas fêmeas, e várias sugestões estão a ser discutidas: a preferência poderá ser arbitrária (como Darwin sugeriu), ou poderá ter sido seleccionada por trazer vantagens para as fêmeas. A selecção sexual é hoje um dos domínios mais activos da biologia.»