30.8.06

Última hora

A Zazie tinha o "Mornings on Bourbon Street" e salvou-me gentilmente a vida ao postá-lo no Cocanha.

Obrigada, Zazie!

E agora, o poema.

«Mornings on Bourbon Street


He knew he would say it. But could he believe it again?

He thought of the innocent mornings on Bourbon Street,
of the sunny courtyard and the iron
lion’s head on the door.

He thought of the quality light could not be expected
to have again after rain,

the pigeons and drunkards coming together from under
the same stone arches, to move again in the sun’s
faint mumble of benediction with faint surprise.

He thought of the tall iron horseman before the Cabildo,
tipping his hat so gallantly towards old wharves,
the mist of the river beginning to climb about him.

He thought of the rotten-sweet odor of Old Quarter had,
so much like a warning of what he would have to learn.

He thought of belief and the gradual loss of belief
and the piercing together of something like it again.

But, oh, how his blood had almost turned in color
when once, in response to a sudden call from a window,
he stopped on a curbstone and first thought,

Love, Love, Love.

He knew he would say it. But could he believe it again?

He thought of Irene whose body was offered at night
behind the cathedral, whose outspoken pictures were hung
outdoors, in the public square,
as brutal as knuckles smashed into grinning faces.

He thought of merchant sailor who wrote of the sea,
haltingly, with a huge power locked in a halting tongue–

Lost in a tanker off the Florida coast,
the locked and virginal power burned in oil.

He thought of the opulent antique dealers on Royal
whose tables of rosewood gleamed as blood under lamps.

He thought of his friends.

He thought of his lost companions,
of all he had touched and all whose touch he had known.

He wept for remembrance.

But when he had finished weeping, he washed his face,

he smiled at his face in the mirror, preparing to say
to you, whom he was expecting.

Love. Love. Love

But could he believe it again?»


Tennessee Williams


my sweet old etcetera - e. e. cummings

my sweet old etcetera
aunt lucy during the recent

war could and what
is more did tell you just
what everybody was fighting

for,
my sister

isabel created hundreds
(and
hundreds) of socks not to
mention shirts fleaproof earwarmers

etcetera wristers etcetera, my

mother hoped that

i would die etcetera
bravely of course my father used
to become hoarse talking about how it was
a privilege and if only he
could meanwhile my

self etcetera lay quietly
in the deep mud et

cetera
(dreaming,
et
cetera, of
Your smile
eyes knees and of your Etcetera)

14.8.06

Mudança de endereço de e-mail e eclipse de comentários

Os comentários estão vivos, mas ocultos nos bastidores do blogger. Não faz grande sentido manter um sistema de comentários quando as minhas visitas ao blog são ultimamente tão raras que só me apercebi dos últimos através das notificações recebidas na conta de e-mail. E mesmo a conta de e-mail, que era do hotmail, precisou de algumas reanimações nos últimos tempos. Correspondência e comentários, a partir de agora, para oscavaleiroscamponesesATyahooDOTcom, please. Quando (e se) o blog regressar a um ritmo diário, voltam os comentários.

Saudações camponesas.

10.8.06

Orpheus Descending # 4

Death don't come when you want it, it comes when you don't want it! I wanted death, then, but I took the next best thing. You sold yourself. I sold my self. You was bought. I was bought. You made whores of us both.

Tennessee Williams

Orpheus Descending # 3

LADY:
Your brother's coming, go out! He can't come in!
[CAROL picks up coat and goes into confectionery, sobbing. VAL crosses toward door.]
Lock that door! Don't let him come in my store!
[CAROL sinks sobbing at table. LADY runs up to the landing of the stairs as DAVID CUTRERE enters the store. He is a tall man in hunter's clothes. He is hardly less handsome now than he was in his youth but something has gone: his power is that of a captive who rules over other captives. His face, his eyes, have something of the same desperate, unnatural hardness that LADY meets the world with.]

Tennessee Williams

Orpheus Descending # 2

VAL:
Listen! - When I was a kid on Witches' Bayou? After my folks all scattered away like loose chicken's feathers blown around by the wind? - I stayed there alone on the bayou, hunted and trapped out of season and hid from the law! - Listen! - All that time, all that lonely time, I felt I was - waiting for something!

LADY:
What for?

VAL:
What does anyone wait for? For something to happen, for anything to happen, to make things make more sense. ... It's hard to remember what that feeling was like because I've lost it now, but I was waiting for something like if you ask a question you wait for someone to answer, but you ask the wrong question or you ask the wrong person and the answer don't come.
Does everything stop because you don't get the answer? No, it goes right on as if the answer was given, day comes after day and night comes after night, and you're still waiting for someone to answer the question and going right on as the question was answered. And then - well - then. ...

LADY:
Then what?

VAL:
You get the make-believe answer.

LADY:
What answer is that?

VAL:
Don't pretend you don't know because you do!

LADY:
- Love?

Tennessee Williams

Orpheus Descending # 1

People can live together in hate for a long time. Notice their passion for money. I've always noticed when couples don't love each other they develop a passion for money.

Tennessee Williams

19.7.06

Agora ou nunca?



Agora, vá lá.

12.7.06

Bip!

Era um texto sobre o estado comatoso do blog, mas depois achei-o excessivamente sério e, face aos factos, redundante. Prefiro dizer que Alec Soth tem aí um álbum chamado NIAGARA que merece ser aberto num sítio com boa luz e ser visto e lido e revisto e relido muitas vezes.

(já nem um link faço, que pouca vergonha)

16.6.06

Perguntas freaks

Hora de almoço, bairro desconhecido, muito fashion, cheio de escritórios, fatos cinzentos, stress e centros comerciais que acabavam em zonas de refeição escuras. Afinei a dicção e fui simpática quando perguntei ao segurança de um prédio fashion se me podia indicar um restaurante com boa orientação solar.

14.6.06

As nuvens rasgaram-se todas ao mesmo tempo

E tinham muita água. Chove desde ontem à noite. Depois disto, Lisboa amanhecerá limpa, esplendorosa e perfumada, com a luz mais completamente impossível, improvável.

As tílias escureceram, mas continuam a ser as árvores com os verdes mais variados e inquietos e aquelas em que é maior a diferença entre o que se vê fora e o que se vê dentro da árvore.

31.5.06

Being for the benefit of Mr. Kite


(editado para tirar o mp3 e deixar o vídeo com o mesmo tema)

Notícias notícias não há, nem muita vontade de postar diariamente. Ou tempo. O que resta deste custa imenso passar em frente ao monitor, excepto quando não há remédio. E para um blog há sempre remédio. A minha teoria - assim mesmo, a maldita palavra, com toda a pompa e todo o ridículo que merece - é que isto me vai passar assim que o Outono trouxer as primeiras chuvas. E que então este blog, ou outro, voltará a fazer sentido e a conquistar algumas horas nos meus dias ou, pelo menos, nas minhas semanas.

Hoje cheguei a casa com o início de Lucy in the Sky em loop, na memória. Fui buscar o disco e depressa me dei conta que não era bem nessa cantiga que se condensava qualquer coisa que hoje me persegue, exuberância, alegria ou assim. Era em Mr. Kite. E lembrei-me que o podia deixar a tomar conta do blog. Curiosamente, há minutos, ao ler sobre o "Sgt. Pepper's...", apercebi-me que amanhã se cumprem os 39 anos do lançamento. O que faz deste post quase uma efeméride. É tudo.

10.5.06

O lago é assim



28.4.06

Está aqui um grande espaço vazio

E depois não acontece nada. Se acontecer alguma coisa, virá, mais tarde, um eclipse.



































































































































































26.4.06

Ena ena ena

Isto



é muito bonito.

E não é só Red River Valley - pois, pois, consegui avançar e ouvir o
resto do CD com atenção - nem tudo se parece com esse tema.
Aliás, nada se parece com esse tema.

Dois dias de habituação depois,
ou, especialmente, as últimas horas de hoje:

É mais que ena-ena-ena e mais que muito bonito. É, às vezes, um híbrido dos sons de que mais gosto no "Blue Light Til Dawn" e no "Belly of The Sun" e de sons novos e no estado em que eu ando, em que a custo me arrasto para dentro de casa, para longe dos lugares onde me cheira a sol e a terra, "Thunderbird" era o CD que mais me apetecia ouvir durante semanas, mesmo se acabei de descobrir que será.

24.4.06

Sequoia sempervirens

(foto daqui)
Cassandra Wilson > Red River Valley > "Thunderbird"

20.4.06

Dias com flores


No Dias com árvores, um post do Paulo Araújo sobre as papoilas.

Em miúda via muito um slide com um campo cheio delas. Era parecido com isto:



(foto daqui)


As papoilas têm vermelho impressionante, mas o meu slide era um bocado mais amarelo do que devia ser, o que fazia as papoilas parecerem da cor de um fogo vermelho.

18.4.06

"L'Arpenteur du Ciel"

Ofereci ao meu pai um álbum de fotografia da arquitectura da paisagem de Alex MacLean. Paisagens naturais e urbanas vistas do céu.


© Alex MacLean

Há paisagens que são só grandiosas e bonitas e não ficam a dever nada a ninguém por causa disso – fiquei com um fraquinho sério por Massachusetts. As fotografias das cidades, com estradas e bairros em construção, são interessantíssimas. Além das paisagens naturais e das fotografias de planeamento, há ainda, vistos do céu, lixo e poluição, destruição e abandono. Umas dizem logo o que são, outras pedem ginástica de olhos e memória.

© Alex MacLean

A internet aqui é um factor de pobreza: serve para ilustrar, mas não serve para ver. Estas são fotografias para ver num livro aberto, por baixo de boa luz, com o auxílio de uma lupa tradicional, para pormenores, caso se revele necessário.



© Alex MacLean


12.4.06

Tinha feito um post com muitas linhas todas a dizer que não vou regressar a Madrid este ano. E de facto não vou. Mas depois apaguei tudo porque é coisa que não interessa a ninguém. E na verdade era eu a reagir mal (para quem inseriu no programa de saídas de 2006 fingir que Madrid não existe) ao facto de ter descoberto que o Thyssen está com uma temporária chamada

VANGUARDIAS RUSSAS

com obras de Kandinsky, Goncharova, Lariónov, Malévich, Popova, Gabo, Tatlin, Kliun, Chagall, Filónov, Matiushin e Ender.

Até 14 de Maio:

«Durante las primeras décadas del siglo xx, la Rusia imperial —que pronto iba a convertirse en Unión Soviética—, experimentó una profunda transformación de su sociedad. En ese periodo de convulsión política y cultural, de ruptura con la concepción positivista del mundo propia del siglo xIx, tuvo lugar un importante renacimiento cultural que se manifestó tanto en las artes visuales como en la literatura y las artes escénicas.

Una serie de poetas y pintores, con una postura abiertamente radical, apostaron entonces por un lenguaje totalmente innovador con el que querían abrir el camino a un mundo nuevo. La vida artística rusa se llenó de exposiciones programáticas, encendidos manifiestos y declaraciones teóricas, al tiempo que se sucedían numerosos movimientos de vanguardia, algunos derivados de las influencias foráneas, como el cubofuturismo o el rayonismo, y otros genuinos de la nueva Rusia revolucionaria, como el suprematismo o el constructivismo.

La exposición se propone ofrecer una visión sintética de este periodo y abarca una amplia selección de obras y manifestaciones artísticas de naturaleza heterogénea y diversa, desde la pintura y la escultura, hasta la fotografía, el diseño gráfico y las artes aplicadas. El arco cronológico que abarca se sitúa entre 1907 y 1935, y está organizada a través de cinco secciones diferenciadas

11.4.06

O céu sobre Beja


Post do Pedro, aqui, com as restantes fotografias.

húmus

a alcoviteira andarilha a luz nas telhas a noite dança alec soth alex maclean alexandra boulat alfredo cunha alice in chains allo allo andou prometeu a roubar fogo aos deuses para isto andré kertész andrew wyeth antibalas anywhen arizona amp and alternator armi e danny arthur dove as árvores aulas de CC bach bartleby beatles bergman bill evans bompovo brad mehldau brecht bunny suicides calexico camponesa camus carl sandburg carlos paredes carta topográfica de lisboa caspar david friedrich cassandra wilson cato salsa experience centenário do grande temporal centrifugação blogger charlie parker chico buarque christian schad christopher r. harris cig harvey coisas que ninguém diz e que toda a gente sabe dan nelken daniel blaufuks dave holland dave mckean decisions deus inventou o sexo diário de bordo ditty bops divas dostoievsky dr. jazz dylan thomas e. e. cummings el greco ella fitzgerald elvis e anita emil nolde enid blyton eugene smith eugénio de andrade evil genius fausto bordalo dias fenómenos paranormais francis bacon françois clouet fredrik marsh future bible heroes gaivota galiza garcía lorca geografia georges gonon-guillermas gilbert and george gógol e kureishi gonçalo m. tavares góngora HAL hans baldung grien hans cranach henrik ibsen hopper horas da ciência howe gelb hp5 húmus hyeyoung kim i'm going away to wear you off my mind ironia natalícia jan van eyck jason moran jerry lodriguss jesus na comida jornal do insólito josé barata moura josé carlos fernandes josé gomes ferreira josé mário branco josé tolentino mendonça Kafka sumiu keith jarrett keith johnson ken rosenthal king oliver's creole jazz band laura veirs lei bloguística leitura de sobrevivência león ferrari lewis carroll load "" louis jordan madrid maelesskircher manuel alvarez bravo maria schneider mario abbatepaolo martin parr matéria-prima mau feitio mauro fiorese michael brecker micheliny verunschk miguel rio branco miles davis mirah missy gaido allen momento fantástico do bicho escala estantes monk movimento televisão sem som neil gaiman nick brandt nietzsche noronha da costa o aforismo o piano de tom jobim o sono e os sonhos o'neill orquestra vegetal de viena os cavaleiros camponeses no ano 1000 no lago de paladru pão com manteiga pat metheny patience and prudence paul strand pedro salinas peggy washburn pentti sammallahti philip larkin philippe halsman piero de la francesca ponce de léon post de gaja preisner pronto-a-vestir quadrado fi Quadros que roubaria no Thyssen quino R.E.M. raïssa venables regina guimarães robert doisneau ruben a. rui knopfli ruy belo ruysdael sarastro schuiten e peeters sequoia sempervirens sérgio godinho shampoo casulo shannon wright sidney bechet simone de beauvoir sophia andresen soviet group stieglitz t.s.eliot tagsmustbedestroyed tennessee williams terry blaine the 1913 armory show tom chambers trem azul trepadeira universos múltiplos valerio magrelli velásquéz você é um idiota winslow homer xavier seoane yes prime minister yousuf karsh zeca zurbaran

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