16.2.15
9.2.15
a ler “américa a bem ou a mal”, de anatol lieven. oito anos de possível desatualização, talvez, porque o nacionalismo fica sempre encarniçado com as crises. não consigo parar de ler. e quando o fecho, porque sou uma coisa móvel que tem de deslocar-se, a capa das edições tinta da china põe-me a pensar no verso do jack kerouac no silly goofball pomes: “the american [is] a sniper.”
e o tocqueville. o tempo passa e passa e passa e nunca se escreve sobre a américa, nem pensa nem estuda, com pretensões de profundidade e seriedade, sem ir ao tocqueville.
e o tocqueville. o tempo passa e passa e passa e nunca se escreve sobre a américa, nem pensa nem estuda, com pretensões de profundidade e seriedade, sem ir ao tocqueville.
4.2.15
Go Set a Watchman - Harper Lee
http://www.theguardian.com/books/2015/feb/03/harper-lee-new-novel-to-kill-a-mockingbird
http://www.theguardian.com/books/2015/feb/03/harper-lee-new-novel-to-kill-a-mockingbird
23.1.15
21.6.11
"Fazer
a mesma vida gastando metade
As
empresas têm de ser aliviadas, porque criam emprego, e os pobres não podem ser
mais sobrecarregados; tem de ser, pois, a classe média a pagar a crise.
A
classe média vai ter de pagar a principal factura da crise. Não pode ser de
outra maneira: as empresas têm de ser apoiadas, porque são elas que geram
riqueza e criam emprego, e os mais débeis não podem ser mais sacrificados.
A
esquerda está sempre a falar nas grandes fortunas, na banca, nos lucros das
grandes empresas – como se aí estivesse a salvação do país. Ora, já não estamos
no tempo da revolução soviética. Os patrões já não são aqueles seres ignóbeis e
gordos que apareciam nas caricaturas e que só se preocupavam em encher os
bolsos e enriquecer à custa do trabalho dos explorados.
Esse
tempo, se chegou a existir, passou. Os empresários são quase sempre pessoas que
subiram a pulso, que trabalharam no duro, que tiveram a coragem de arriscar e
investir, que criam emprego, que sofrem quando se aproxima o dia de pagar aos
trabalhadores e aos fornecedores.
É
esta gente que cria riqueza – porque o Estado, sendo indispensável, só consome,
não produz. Um país precisa de médicos, precisa de juízes, precisa de polícias,
precisa de militares – e esta gente toda tem de receber. Mas donde vem o
dinheiro? Dos impostos. E onde vai o Estado buscar os impostos? Às empresas e
aos particulares.
Significa
isto que, quanto mais lucros as empresas tiverem, mais rendimentos terá o
Estado. Mas para as empresas terem lucros terão de ser aliviadas de diversos
encargos. O que uma empresa paga hoje por um trabalhador, além do que este
recebe, é uma enormidade. Para o leitor ter uma ideia, numa empresa como o SOL,
por cada empregado que leva para casa 1.390 euros, a empresa tem de desembolsar
2.300. Ora, com este regime, quem é que quer investir e contratar gente?
Além
disso, há que aliviar a burocracia e facilitar a vida aos que investem. O
grande problema de muitos políticos é nunca terem trabalhado em empresas
privadas e não conhecerem a lógica de funcionamento do mercado.
Mas,
se as empresas não podem ser mais sobrecarregadas (para poderem crescer e ter
capacidade para investir) e os pobres também não, tem de ser a classe média a
pagar a crise.
Sucede
que na classe média há muita gente que pode gastar metade do dinheiro que hoje
gasta e fazer quase a mesma vida.
Na
classe média esbanjam-se dinheiro e recursos de uma forma às vezes chocante.
Nos restaurantes desperdiça-se comida. Quantas vezes não vemos as travessas
voltarem para dentro com quase metade da dose que veio para a mesa? Essa comida
vai para o lixo. Por que não se reduzem as doses, diminuindo um pouco os
preços? Aproveitar-se-ia melhor a comida e os clientes agradeceriam.
Nos
mais pequenos pormenores é possível poupar. Um dia destes, com o café,
trouxeram-me um pacote de açúcar branco, outro de açúcar escuro, outro de
adoçante e um pau de canela! Eu só usei parte de um dos pacotes de açúcar e
tudo o resto foi para o lixo. Ora esse ‘resto’ tinha um valor. Custou dinheiro
a produzir – para ir directamente para o lixo.
Ainda
no campo da alimentação, mas noutra vertente, há que dizer que em muitos casos
não existe motivo para consumir produtos estrangeiros, pois há produtos
nacionais equivalentes. Por que se bebe água Vittel, Vichy ou Voss, e não água
do Luso, do Vimeiro, das Pedras ou do Castelo? Por que se bebe cerveja Heineken
ou Carlsberg em vez de Super Bock ou Sagres? Não há nenhuma razão a não ser
esta: por peneiras. Para mostrar aos outros que temos gostos mais requintados e
dinheiro para os pagar.
E
quem fala das águas e das cervejas fala dos vinhos e dos espumantes. É possível
beber um óptimo vinho português cinco vezes mais barato do que um vinho
francês. E nas ocasiões festivas por que não optar por um honesto espumante
Raposeira ou Cabriz em vez de champanhe Cristal ou Moët & Chandon?
E
nos vícios como o tabaco (para já não falar em deixar de fumar, que seria uma
enorme vantagem sob todos os aspectos) por que insistir no Marlboro ou no
Chesterfield em vez do Português Suave ou do SG?
Finalmente,
quando vamos ao supermercado ou à praça, há que ter em mente que sai mais
barato e é mais saudável comprar legumes e fruta de origem nacional, e na
respectiva época, do que produtos estrangeiros.
Estes
princípios aplicam-se também ao vestuário. Se em lugar de um fato Hugo Boss ou
Armani comprarmos um Dielmar ou Do Homem, ficaremos igualmente bem servidos e o
preço será metade ou um terço. E a mesma regra vale para toda a roupa e para o
calçado: se não capricharmos em comprar produtos de ‘marca’, é possível comprar
camisas, pólos ou sapatos excelentes a um preço módico.
Neste
ponto da conversa, há sempre quem recorde que ‘o barato sai caro’. Mas isso é
um mito. Um dia, ainda no tempo do escudo, vi uns sapatos numa montra que me
saltaram à vista, entrei na sapataria, experimentei-os, gostei e mandei
embrulhar. Quando a empregada disse o preço – 80 contos – eu ia desmaiando. Mas
já não tive coragem para voltar atrás. Pois bem: as principais características
do calçado são o conforto, a segurança e a durabilidade. Ora esses sapatos –
ingleses, marca Church’s – não eram confortáveis, não eram seguros nem se
mostraram duráveis, pois resistiram bastante menos do que outros muito mais
baratos. E digo que não eram seguros pois escorregavam perigosamente em
superfícies muito lisas, como as calçadas de Lisboa, em que as pedras estão
polidas pelo desgaste. Por pouco esses luxuosos sapatos não me causaram quedas
aparatosas.
Mas
há muito mais coisas em que o leitor pode poupar. Por exemplo, não fazer férias
no estrangeiro, evitando ainda por cima aqueles horríveis tempos mortos nos
aeroportos e o risco da perda de bagagens. Faça férias cá dentro. Haverá coisa
melhor e mais cómoda do que entrar no carro em frente de casa e sair em frente
da porta do hotel ou do apartamento onde vamos passar férias?
A
propósito de carro, por que não escolher sempre um modelo abaixo daquele que
‘normalmente’ iríamos comprar. Em vez de um Mercedes E, um Mercedes C; em vez
de um Audi 6, um Audi 4; e assim sucessivamente. E só falo de carros caros pois
é onde se pode poupar mais dinheiro.
Se
formos para o hotel, por que não experimentar um de três ou quatro estrelas em
vez de escolher às cegas um de cinco?
E,
se teimarmos em ir de avião, não custará nada viajar em turística em vez de 1.ª
ou Executiva, pelo menos nos voos de duração inferior a três horas. Chega-se ao
mesmo tempo e paga-se metade.
As
novas tecnologias são outro excelente terreno para poupar. Se não capricharmos
em ter sempre um computador, um telemóvel, um iPhone ou um iPad de última
geração e nos contentarmos com uns modelos ‘ultrapassados’, também pagaremos
muitíssimo menos e não ficaremos pior servidos. Também aqui é uma questão de
ostentação. Quantas vezes o modelo ‘ultrapassado’ não é tão ou mais eficaz do
que o último grito?
E
por falar em telemóveis, quantas chamadas fazemos por dia que são perfeitamente
desnecessárias? Talvez 90%. E, pensando nos computadores, não poderemos poupar
imenso no material de escritório, deixando de fazer prints por tudo e por nada?
Basta que, quando vamos dar uma ordem de print, pensemos se ele é mesmo
necessário.
Outra
norma simples é evitar ligar o ar condicionado. Até porque é prejudicial à
saúde, sendo responsável por muitas gripes e outras doenças.
Quando
se passa do material de escritório para o mobiliário, é bom pensar que existe
um abismo entre comprar nacional ou estrangeiro. E o mesmo sucede quando se
trata de equipar uma casa. É indispensável procurar materiais portugueses –
azulejos, mosaicos, pavimentos, papéis de parede, torneiras, toalheiros,
louças, etc. –, até porque os há de excelente qualidade. Às vezes pensamos que
os estrangeiros são melhores por serem mais caros, mas é um engano: o aumento
do preço tem apenas que ver com o facto de serem importados.
E
já não falo nos luxos e extravagâncias – os perfumes, cremes, desodorizantes,
espumas de barbear, after shaves, sais de banho, lacas, etc., etc. – que enchem
as prateleiras das nossas casas de banho e que podem ser reduzidos a metade ou
um terço, ou substituídos por outros menos dispendiosos.
A
propósito, os detergentes e os produtos de limpeza também são uma rubrica onde
se pode poupar muitíssimo, pois as diferenças de preço são enormes entre os
produtos de marca e os produtos brancos, e a qualidade é semelhante.
Finalmente,
é possível seguir uma regra simples: em cada cinco visitas ao cabeleireiro, ou
à esteticista, ou à depilação, ou à manicura, ou à massagista, reduzir uma. Não
custa nada e representa uma poupança de 20% nessas despesas.
Podia
continuar, mas não vale a pena: o leitor já percebeu que pode gastar muito
menos do que gasta sem ter de mudar de vida. Basta apenas um pouco de
disciplina. Basta ‘racionalizar as despesas’. Eu já fiz a prova e sei do que
falo.
Até
lhe digo: sentir-se-á melhor. Porque, ao não desperdiçar, ao reduzir o consumo,
sabe que está a contribuir, por exemplo, para não estragar mais o planeta. E
para não aumentar mais a dívida do país, visto que muito do que consumimos é
importado. Simultaneamente, ao preferirmos produtos portugueses, estamos a
estimular a produção nacional, a criar emprego e a reduzir a dependência do
país relativamente ao exterior.
Como
vê, a crise pode contribuir para vivermos melhor – com menos. Não é
necessariamente um problema – é uma grande oportunidade para mudarmos alguns
hábitos."
José
António Saraiva - Sol - 20/6/2011
12.12.07
29.11.07
27.10.07

Till the Cows Come Home: County Fair Portraits © Dan Nelken
Louis Jordan > Ain't Nobody Here but Us Chickens
17.10.07
16.4.07
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