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15.3.05

Momento Sidney Bechet

«That note you hold, narrowing and rising, shakes
Like New Orleans reflected on the water,
And in all ears appropriate falsehood wakes,

Building for some a legendary Quarter
Of balconies, flower-baskets and quadrilles,
Everyone making love and going shares--

Oh, play that thing! Mute glorious Storyvilles
Others may license, grouping around their chairs
Sporting-house girls like circus tigers (priced

Far above rubies) to pretend their fads,
While scholars manqués nod around unnoticed
Wrapped up in personnels like old plaids.

On me your voice falls as they say love should,
Like an enormous yes
. My Crescent City
Is where your speech alone is understood,

And greeted as the natural noise of good,
Scattering long-haired grief and scored pity.
»

Philip Larkin - For Sidney Bechet


Bob Parent

«Begin afresh, afresh, afresh.»

Sábado de madrugada, os lódãos em frente à minha casa tinham os ramos cheios de grãos gordos. Só isso, pareceu-me, embora tenha dito para dentro, depois de regressar da janela, que a noite cheirava como cheiram as noites na primavera. Suponho que algures no emaranhado de ramos das árvores já tinham rebentado folhas ou estavam nesse momento a rebentar, uma coisa não visível, só cheiro. Nunca antes tive uma casa em frente a lódãos. São uns vinte, velhos e altos. Ramos retorcidos. Muito retorcidos. De tal forma que quando as árvores estão despidas não se consegue ver a arquitectura do outro lado da praça, apenas a nuvem cinza acastanhada dos ramos. E à noite, no Inverno, facilmente eu acreditaria, ao vê-las tão paradas e negras, que estão atentas e conscientes. Mas o que sobretudo começa a misturar-se com a minha percepção das estações, de tal forma que me será difícil viver em frente a outras árvores, é o cheiro da rebentação destas folhas. Domingo de manhã ainda não as havia visíveis mas toda a praça estava verde. Hoje são visíveis, mínimas, e o cheiro está por toda a parte. Agora, quando abro as janelas para arejar a casa, misturado com o cheiro seco do sol, chega este das folhas novas dos lódãos: é doce, é morno e enche-nos os gestos de princípios.

«The trees are coming into leaf
Like something almost being said;
The recent buds relax and spread,
Their greenness is a kind of grief.

Is it that they are born again
And we grow old? No, they die too,
Their yearly trick of looking new
Is written down in rings of grain.

Yet still the unresting castles thresh
In fullgrown thickness every May.
Last year is dead, they seem to say,
Begin afresh, afresh, afresh.»

Philip Larkin - The Trees

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