Deves ter a mania, tu.
O começo é tiro ao lado das cinco manias que o João pediu, mas ilustra a mania das respostas prontas-a-vestir: digo-as sempre que posso entre aqueles que sabem bem que estou a gozar e entre aqueles que acreditam que as digo a sério. Deves ter a mania é um clássico recentemente repescado (ou Tu deves é ter a mania ou Tu tens mas é [mazé] a mania). Esta fórmula deve ser dita erguendo um pouco o queixo e orientando o nariz para o interlocutor, enquanto, simultaneamente, se arqueiam ligeiramente os sobrolhos. É importante erguer ambos e não apenas um. Se erguermos apenas um sobrolho alguém pode pensar que estamos só a imitar a Ingrid Bergman.
Seguem as outras quatro, sem mais delongas (isto hoje não está a correr bem e a aparição de Ingrid Bergman vinda não sei de onde só pode ser um sinal enviado por forças ocultas que eu não devo, à partida, rejeitar, pois não as conheço, nem nunca lhes enviei qualquer sms).
Não consigo dormir em absoluta escuridão, pelo menos duas ou três manchas de luz nocturna têm de entrar pelos estores e estar convenientemente alojadas numa parede ou numa porta do quarto.
Não consigo dormir excepto de barriga para baixo e numa posição muito bizarra, pelo menos eu achei e assustei-me quando percebi: braços e mãos cruzadas sob o peito, pernas esticadas e pés sobrepostos, também em cruz.
Tenho a mania da música e de todas as coisas que a circunscrevem e individualizam: o silêncio, os outros sons.
E não faço discursos saudosistas da infância, cheios de pontos de exclamação e de cornucópias e de máximas sobre o sentido da vida, porque brinco o que quero – mas tenho consciência que, num adulto, se calhar é uma mania. Mas é a última (oficialmente, pelo menos).
Passo a batata quente ao Duarte, à Batata, à Alice, ao David e ao José. Manias, manias.
2.2.06
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